Esta semana cismei com a ideia da OLX: Desapegue. Fora algo momentâneo que batera em minha porta com um chute a jogando no chão. O estrondo fora tão gritante que dei um pulo da cadeira e olhei a minha volta. Em todos os cantos havia um pouco do que fui ou era, um pouco de alguém ou de um tempo passado.
Nunca fui muito organizada e meu quarto é a maior prova disso. Entro e saio dele milhares de vezes depois de acumular o que for. Nele há acumulo de roupas, livros, cadernos, sapatos, pôsteres, revistas e muitas memórias. Quis gritar com tal cenário, por alguns segundos aquilo tudo pareceu me envolver.
Quase que dizendo:Pare de dar uma de Bruce Wayne! Não está podendo assim para se apegar ao passado.
Saí reunindo tudo isso em uma caixa. Duas. Três. Esvaziando o guarda roupa e observando as memórias sendo reveladas. Meus cadernos antigos me contando quem fui e quem era. Meus diários com tanto papo apaixonado que mal acreditei que eram meus, ou melhor, tive certeza ao reler.
O jeans 38 que joguei na caixa. As revistas e pôsteres de bandas que eu mal acreditava que tinha guardado. Cadernos de matemática com textos alheatórios sobre tudo menos a matéria. Chinelos velhos.
Fora bom quando acabei. Senti vontade de recomeçar. Libertador e simples. Singelo e importante. Pois, as memórias não se foram, mas foram revistas de outras maneira me ajudando a seguir o dia sem tanto acumulo desnecessário.
Das memórias não se foge, Bruce Wayne que o diga. Elas estarão sempre ali no que se tornaram, mas isso não significa que é necessário abraçá-las em simbolismos para viver. As vezes se desfazer é o que precisamos para fechar uma porta emperrada da nossa vida. Aceitarmos quem somos, mesmo que seja complicado.
Desapegar pode ter vários significados, não obstante a maioria diz algo que muita gente deveria agarrar: Deixar algo ir não significa que deixará de lembrar, mas que está na hora de fazer mais, sonhar e realizar.








